Em 26 de maio de 1927, Henry Ford e seu filho Edsel
conduziram o Modelo T número 15 milhões, da Ford, para fora de sua
fábrica, marcando o famoso último dia de produção deste automóvel.
Mais que qualquer outro veículo, o relativamente acessível e
eficiente Modelo T foi responsável por acelerar a inserção do carro na
sociedade americana durante o primeiro quarto do século XX. Lançado em
outubro de 1908, o Modelo T – também conhecido como “Tin Lizzie” –
pesava 500 kg e tinha um motor de 20 cavalos de potência e 4
cilindradas. Rodava de 21 a 34 quilômetros por galão de gasolina e era
capaz de andar a 72 km/h. Inicialmente vendido por 850 dólares (em torno
de 20 mil dólares hoje), o Modelo T básico e sem adicionais seria
vendido posteriormente por 260 dólares (em torno de 6.000 dólares hoje).
Em grande parte devido à sua popularidade incrível, o governo dos EUA
fez da construção de novas estradas uma de suas maiores prioridades em
1920. Em 1926, no entanto, o Lizzie tinha se tornado defasado em um
mercado em rápida expansão para automóveis baratos. Henry Ford esperava
manter sua produção enquanto reequipava suas fábricas para lançar seu
substituto, o Modelo A. Mas a falta de demanda o obrigou a cessar a
produção do Lizzie. Em 25 de maio de 1927, ele anunciou ao mundo todo
que estava descontinuando o Modelo T. Conforme registrado por Douglas
Brinkley em “Wheels for the World”, sua biografia de Ford, o lendário
construtor de carros elogiou sua criação mais memorável: “Ele era
poderoso e resistente. Foi um carro que correu antes de haver boas
estradas para correr. Ele quebrou as barreiras de distância em áreas
rurais e aproximou as pessoas dessas regiões, deixando a educação ao
alcance de todos”.
Depois que a produção terminou oficialmente no dia seguinte, as
fábricas da Ford fecharam no início de junho e 600 mil operários foram
dispensados. A empresa vendeu menos de 500 mil carros em 1927, menos da
metade das vendas da Chevrolet. O fato de o lançamento do Modelo A ter
começado em cidades seletas que, no mês de dezembro, recebiam uma grande
multidão, mostra a grande habilidade de Ford em criar sensações. Porém,
nenhum carro na história teve o impacto – tanto real quanto mitológico –
do Modelo T: autores como Ernest Hemingway, E.B. White e John Steinbeck
mencionam o Tin Lizzie em seus livros, enquanto o grande cineasta
Charlie Chaplin o imortalizou de forma satírica no seu filme de 1928, “O
Circo”.
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